O Céu e o Inferno revela a vida do Espírito após o desencarne

Em nossa casa espírita recebemos repetidamente consultas a respeito da literatura adequada à introdução ao estudo da Doutrina Espírita. Evidentemente, apresentamos uma seqüência lógica e racional, iniciando pelo esclarecedor “O que é o Espiritismo”, e tendo continuidade em “O Livro dos Espíritos”, “O Livro dos Médiuns”, etc. Aliás, é como são conduzidos os estudos na casa.

Com preocupante frequência os interessados, tendo passado antes por “entendidos”  – ou mesmo outras instituições – relatam terem sido orientados a adquirirem e lerem romances diversos e livros ditos “de estudo”, mediúnicos ou não, de autores conhecidos ou iniciantes. Em muitos casos esse procedimento gera confusão sobre conceitos como reencarnação, evolução espiritual, causa e efeito, vida espiritual e outros ensinamentos propostos pela Doutrina Espírita.

As pessoas que fazem essas indicações tratam esses livros como se fossem mais esclarecedores e avançados que as obras fundamentais de Allan Kardec. Em geral, esses textos citam a existência de vegetais, animais, construções, vestimentas e comportamentos como se o ambiente espiritual fosse cópia quase materializada deste mundo.

Bem, essa introdução tem sua razão no fato de que comemoramos, no dia 1o de agosto, o lançamento do livro “O Céu e o Inferno”, magistral obra do professor Rivail, como Allan Kardec, apresentada ao público no ano de 1865.

E a relação com o tema acima está em que, na sua primeira parte, o tema-título é examinado doutrinariamente, de maneira clara e objetiva, demonstrando a fantasia presente na tese de céu e inferno como situações intermináveis.

E isso frente à racionalidade do entendimento espírita da evolução permanente, confrontados também com o conceito da justiça divina. E em sua segunda parte são relacionados diversos exemplos de espíritos que, tendo vivido sua última existência e a desencarnação de variadas formas (boas e más pessoas, desencarnações naturais, violentas e até suicídios), deram seus depoimentos quando chamados por Kardec.

Esses depoimentos nos instruem sobre a vida na forma espiritual, em que a felicidade ou infelicidade sentidas pelos espíritos dependem do esforço feito em seu aprimoramento. Interessante que nenhum deles se aproxima das fantasias contidas nos tais romances e livros “de estudo” recomendados por certas pessoas. E são relatos carregados de sensibilidade, emoção, mais até que muitos romances, pois reais!

Como exemplo, tem casos como o de Antonio B. que, ao ter seu túmulo aberto devido a medalhão esquecido em seu interior, foi encontrado sepultado em posição diferente de como foi deixado e com parte de uma mão comida. O espírito, evocado, esclarece que foi experiência por ele solicitada para sentir o que fizera outro sentir em existência passada – portanto, decorrente da compreensão do mal praticado, em uma escolha consciente, e não como um castigo divino – e se você gostou dessa história, leia o livro, onde tem muitas outras igualmente interessantes.

 

Doutrina Espírita: ciência de observação e filosofia

Doutrina Espírita, conforme definição que consta da introdução de “O que é o Espiritismo”, é ciência de observação e filosofia de consequências morais. Ora, sendo ciência, não pode ser tratada com irresponsabilidade e licenciosidade – e a indicação de textos para a formação de cultura espírita necessariamente deve recair nas obras fundamentais.

Toda essa literatura existente, seja autoral ou mediúnica, deve ser considerada a partir da compreensão obtida pelo estudo dos fundamentos doutrinários. Não se pretende, com essa orientação, proibir a leitura de qualquer material, mas sim capacitar o leitor a avaliar seus conteúdos.

O espírita deve ser, de princípio, um pensador crítico, que lê em profusão, mas avança no sentido profundo do texto, não se limitando a decorar e incorporar qualquer ideia apresentada. Muitas dessas ideias são superficiais e fantasiosas, ou utilizando-se de ‘licença poética’ para dar desenvolvimento e emoção a um conto, ou ainda por faltar termos para exprimir as ideias e sensações pelas quais passou o espírito.

O estudo criterioso da base doutrinária proporciona, para além disso, a compreensão de que a vida é mais simples e contínua do que certos romances pretendem – os laços sociais e familiares, as necessidades do espírito, suas lembranças, suas sensações, suas criações mentais, vinculam-se fortemente à maneira pela qual se desenvolveu sua existência material- que depende de seu conhecimento.

Além disso não existe um “mundo espiritual” à parte deste – os desencarnados estão em torno de nós, assim como podem estar em regiões do espaço. Em outras palavras, este ambiente material está dentro do ambiente espiritual!

O Espiritismo é consolador, não porque tem palavras melosas ou promessa de riquezas, mas por nos instruir sobre a importância de uma boa conduta material e moral para sermos felizes. Para concluir, devemos entender que o ambiente espiritual é diferente deste nosso – se fosse semelhante ao ponto que o descrevem certos `livros`, não haveria necessidade da encarnação em um planeta como este.

Após o estudo da Codificação, o espírita terá condição de avaliar outros textos, sabendo exercer a crítica indispensável. E no que se refere à vida do espírito após a desencarnação, “O Céu e o Inferno” é a referência principal. O estudo desta obra é, portanto, imprescindível!

E, você, já leu “O Céu e o Inferno”, de Allan Kardec? Conte para nós o que achou!

* Artigo extraído do site Café com Kardec

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